De onde veio eu não sei
Aquela voz que escutei
Me pediu para ajudar
Não consegui recusar

Nem tentei resistir
Pois vim para servir
Respeitei o meu chamar
Pude até ajoelhar

No exemplo me inspirei
Do nazareno que nasceu rei

Pensar demais faz cacofonia
No corpo inteiro, paralisia
Então no auge desta agonia
Confusão fabrica poesia

Ao meu redor, tudo caótico
Fico pneumoconiótico
No saber epistemológico
Do pensamento semiótico

Quem sabe consiga, qualquer dia
Organizar meu psicológico
Para jubilar em alegria

Escapar deste vil panóptico
E navegando em calmaria
Encontrar-me apoteótico

Lembro bem daquela criança
Enquanto, nos livros, me perdia
Ocupava-se em festanças
Nas adversidades, sorria
Amizades fazia em abundância
Riscos sempre assumia
Dormia demais depois da bagunça
O irmão que me fez companhia

Escrever é um desafio que me traz resultados gratificantes e edificantes. Escolho a poesia pelo poder sinestésico que invoca através da sonoridade rítmica das palavras cuidadosamente selecionadas.

Desde 2018, utilizo um aplicativo para monitorar meus humores diariamente e correlacionar com as atividades que realizo. Comecei a usar o Daylio para…

No primeiro passo, eu duvidei
No segundo passo, escorreguei
Parei para refletir
Sem saber para onde ir

No terceiro, levantei
No quarto, tropecei
De joelhos, desisti
O caminho não era para mim

No quinto, me esforcei
No sexto, perserverei
Sem ver por onde prosseguir
A estrada eu construí

No sétimo, conquistei
No oitavo, contemplei
Só me resta inquirir
Qual destino está por vir?

Vibram descontroladas moléculas
No escuro frio da madrugada
Morfeu não faz mais, aqui, morada
Escancaram-se minhas películas

Retira do corpo energia
Mas preciso tratar mente lesada
Escreverei essa jornada
Para expor o que eu sentia

O paradoxo me escapulia
Como rarafeito ar no pulmão
Que doença meu sono destruía?

De amor não fica enfermo o coração
O incômodo da hipertermia
É consciência da solidão

Repetindo a coreografia
Seu corpinho revoluciona
Agora, de uma metade é dona
Logo, da outra se apossaria

Cálido manto do frio protege
Nos braços, felpuda companhia
Inseparável até raiar o dia
Seus sonhos aleatórios rege

Sorri, brincando, a pequena dama
Num belo descanso em sua cama

Encolhia naquela cadeira
Seus pesados ombros contorcia
Inclinado para porta saideira
Ardendo, no orgulho, ferida

Não aceitaria de qualquer maneira
Manter silêncio à revelia
Sentindo na língua uma coceira
Alegou jocosa alegoria

Transformou debate em trincheira
Mas no combate que entrevera
Resposta à altura não previa

E na sua defesa costumeira
Faz a esquivante covardia
De um escudo a brincadeira

Luciano Santa Brígida

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